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M&A ao rubro com tecnológicas

Jornal Económico

16/1/2018

Mariana Bandeira  15 Jan 2018

2017 assistou a 18 mil operações, no valor de 3,15 biliões de dólares. Firmas anglo-saxónicas lideram a nível global. Escritórios ibéricos lideram na Península.

O ano não poderia ter terminado da melhor forma para o mercado de fusões e aquisições (M&A) a nível global. Em dezembro atingiu-se o recorde do ano no número de megaoperações (com valor superior a 10 mil milhões de dólares, cerca de 8,3 mil milhões de euros) ao registarem-se cinco, com um valor combinado de 189,1 mil milhões de dólares.

Segundo o relatório “Global and regional M&A Report FY 2017”, da Mergermarket, os grandes escritórios anglo-saxónicos lideraram, mais uma vez, o ranking global de M&A, por número de operações assessoradas. A anglo-americana DLA Piper ABBC, sediada em Londres, ocupa o primeiro lugar, com 552 operações no valor de 102 mil milhões de dólares. Seguem-se, no Top 5 global, a Kirkland & Ellis (Chicago, com 489 operações), a Jones Day (Cleveland, com 393), a Latham & Watkins (Los Angeles, com 388) e a Baker Mackenzie (Chicago, com 326). Mas em termos de valor das transações, o ranking global foi liderado pela nova-iorquina Skadden Arps, com 244 operações assessoradas, no valor de 540 mil milhões de dólares.

Duas das cinco ‘transações-rainhas’ de 2017 aconteceram no último mês de 2017. A impulsionar o mercado estiveram os negócios entre a Walt Disney e Rupert Murdoch, a CVS Health Corporation e a Aetna e a maior tabaqueira do mundo, British American Tobacco, com a Reynolds American.

Tratou-se também do quarto ano consecutivo em que o M&A quebrou a barreira dos três biliões de dólares, mesmo com a queda de 3,2% em valor, face a 2016, para 3,15 biliões de dólares (correspondente a 18.433 operações). Apesar de terem assistido a uma ligeira diminuição no número e valor, as operações cross-border também se destacaram no ano passado, dado que a sua percentagem anual do valor global de M&A foi a maior desde 2014: 41,9%, a segunda maior desde a crise financeira.

“A próxima onda de tecnologia está a dinamizar M&A em todos setores, à medida que as pessoas mudam a forma como consomem media, produtos e serviços. O setor de tecnologia atingiu o seu número máximo de negócios anual (desde 2001), com 2.569, enquanto os investidores procuravam os últimos desenvolvimentos na indústria, como a Internet of Things, veículos autónomos e blockchain”, refere.

DLA Piper e CMS lideram na Europa e ibéricos na Península

No ranking europeu, em número de fusões e aquisições apoiadas, a DLA Piper e a CMS lideram, com 351 e 272 deals, no valor de 70,4 mil milhões de dólares e 44,443 mil milhões de dólares, respetivamente.

“É um fantástico reconhecimento, uma vez mais, do trabalho e experiência da DLA Piper no mercado de M&A”, destaca Nuno Azevedo Neves, managing partner do escritório português da sociedade.

Por sua vez, Francisco Xavier de Almeida, sócio da CMS RPA, faz também um balanço positivo. “Falando concretamente da atividade de M&A da CMS Rui Pena & Arnaut, também antecipamos uma melhoria em 2018, com o aumento da participação em operações cross-border, com especial enfoque no imobiliário, turismo, TMC e energia”, disse.

Segundo a Mergermarket, na Península Ibérica, a Cuatrecasas, a Garrigues e a Úria Ménendez – três firmas ibéricas sediadas em Espanha – são as sociedades que mais negócios assessoraram em 2017: 91 (6,9 mil milhões de dólares), 86 (22,3 milhões de dólares) e 55 (52,2 mil milhões de dólares), pela mesma ordem.

“As perspectivas para 2018 são igualmente positivas, mantendo-se a conjuntura favorável vivida em 2017”, disse Francisco Brito e Abreu, sócio da Uría. Já José Diogo Horta Osório, sócio da Cuatrecasas em Portugal, acredita que a firma soubere “aproveitar as oportunidades que o mercado disponibilizou, tais como a oferta de crédito bancário, disponível para operações de M&A em determinados setores, juros baixos, relativa estabilidade política e consequente confiança dos investidores e setores como o turismo, real estate, retail, financeiro e energia a despertar o interesse dos investidores estrangeiros”.

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