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Competitividade e Eficiência

O direito e a Advocacia - 7º Aniversário da Revista Advocatus

30/05/2017

COMPETITIVIDADE E EFICIÊNCIA 
 
O mercado tornou-se altamente competitivo, característica que se tem acentuado ao longo dos últimos anos, assistindo-se a uma cada vez maior flutuação de clientela, muitas vezes sustentada em projectos específicos. Tudo isto implicou uma necessidade de maior eficiência por parte das sociedades de advogados. 
 
Gonçalo Guerra Tavares, Sócio de Direito Público da CMS Rui Pena & Arnaut 
 
A advocacia mudou muito nos últimos anos, tendo feito o caminho que tantos outros sectores fizeram antes, no sentido de uma maior profissionalização e sofisticação do trabalho prestado e do valor entregue aos clientes. Em Portugal, não foi diferente e as alterações são substanciais e merecem reflexão. Começo por destacar a forma como se alterou o modo de relacionamento dos advogados com os seus clientes. Na verdade, esse relacionamento é hoje mais exigente do que nunca. As necessidades dos clientes são cada vez mais exigentes e sofisticadas, exigindo-se maior grau de especialização, capacidade de resposta, celeridade e criatividade da parte do advogado. Com os desenvolvimentos tecnológicos verificados nos últimos anos estamos permanentemente ligados aos nossos clientes, 24 horas por dia, e por isso é essencial uma capacidade de resposta célere e de qualidade.  
 
A isto há que somar um mercado que se tornou altamente competitivo, característica que se tem acentuado ao longo dos últimos anos, assistindo-se a uma cada vez maior flutuação de clientela, muitas vezes sustentada em projectos específicos. Tudo isto implicou uma necessidade de maior eficiência por parte das sociedades de advogados, sabendo que hoje a regra é ganhar projecto a projecto quando antes um cliente era-o para toda a vida. Tendo tudo isto como pano de fundo, há que procurar as nossas vantagens competitivas sustentáveis que, incluindo sem dúvida a capacidade de resposta ao nível técnico, não se esgotam aí. As sociedades de advogados hoje funcionam como verdadeiras empresas onde é necessário implementar estratégias pensadas e consistentes de política de relacionamento com os clientes, de marketing e comunicação (externa e interna), entre outras. 
 
Hoje pede-se ao advogado que, no seu dia-a-dia, não esgote o seu trabalho numa componente meramente técnica. Isto é, hoje o advogado já não pode ser apenas e só um advogado, havendo cada vez mais uma componente de gestão, como em qualquer empresa. Para as sociedades de advogados, a aposta no desenvolvimento destas competências complementares tornou-se incontornável, quer na prossecução de objectivos de retenção de clientes, quer na sua afirmação como "recruitment brands", de forma a atrair os melhores advogados. Do ponto de vista da natureza do negócio, a crise económica dos últimos anos trouxe uma acentuada diminuição do investimento público, que levou a uma muito menor dependência deste mercado dos negócios do Estado e a uma necessidade de procura de novas oportunidades, nomeadamente através da internacionalização.  
 
A grande diferença face a alguns anos atrás é que hoje há uma muito maior diversificação da actividade das sociedades de advogados. Já não é só o mercado nacional que conta, mas o próprio mercado internacional, o que é bastante interessante e permite diversificar a base do negócio. Foi precisamente isso que levou a Rui Pena & Arnaut a iniciar o seu processo de internacionalização e a integrar a CMS no início de 2012. Com isso passámos a beneficiar de uma série de vantagens do funcionamento em rede com os nossos colegas dos diversos escritórios europeus que integram a CMS e congratulamo-nos por esse passo que, se há cinco anos se afigurava essencial, hoje ainda é mais. 

Autores

Gonçalo Guerra Tavares
Gonçalo Guerra Tavares
Sócio
Lisboa