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Tecnologia chega aos escritórios. A inteligência artificial já transforma a advocacia

ECO/Advocatus

10/9/2018

Eco | 13-09-2018
Tecnologia chega aos escritórios. A inteligência artificial já transforma a advocacia 
 
Ana Sofia Franco 
 
Há o Kira. Há robots. Já há mecanismos que ajudam a rever documentos. As sociedades de advogados têm estado a acompanhar a tendência de automatização no ambiente de trabalho. Fomos saber como. 
 
São diferentes as formas pelas quais a tecnologia já influencia a prática dos grandes escritórios. Dos sistemas de revisão de documentos ao acesso remoto a e-mails, passando pela última tendência de inteligência artificial para rever contratos, assistimos, atualmente, a uma corrida tecnológica cada vez mais difícil de acompanhar. Um processo que tem tido um impacto em todas as atividades económicas e que começa a chegar, praticamente, a todas as profissões. A advocacia não é exceção. As sociedades já começam a investir num ambiente de trabalho cada vez mais automatizado. Vieram os robots livrar-nos da burocracia? Será que os advogados estão a um passo de desaparecer? Falámos com seis escritórios para descobrir. 
 
Abreu Advogados 
 
Luís Barreto Xavier, consultor para a inovação da Abreu Advogados fala de uma nova revolução tecnológica, assente na robótica e na inteligência artificial, “que está já em andamento nas sociedades de advogados mais sofisticadas, como é o caso da Abreu Advogados”. Se apostar na tecnologia representa já um serviço aos advogados e aos seus clientes, por outro isso implica um grande investimento por parte destes escritórios. “Não apostar nas novas soluções tecnológicas é um erro que pode custar caro. Mas investir prematuramente e em força em soluções que ainda estão em fase muito inicial implica também elevados custos financeiros e de oportunidade”, nota o jurista. 
 
CMS Rui Pena & Arnaut 
 
Há dois anos que o escritório anda a treinar o Kira – uma tecnologia de revisão automatizada de contratos assente em machine learning. Em 2017 começou a ser aplicada em operações de M&A. Um dos casos foi com a HP. “No âmbito da compra pela HP do negócio de impressoras da Samsung, em que a CMS atuou como assessor jurídico da HP, e no qual o escritório português participou ativamente, o Kira foi utilizado na revisão de 2500 contratos, oriundos de 27 jurisdições e produzidos em 23 idiomas, o que se traduziu em ganhos de eficiência estimados em 30% que muito agradaram o cliente, considerando a dimensão da operação”, conta Margarida Vila Franca, sócia de direito societário deste escritório. 
 
A sociedade conta ainda com uma equipa que se dedica à gestão do conhecimento e à procura de formas de inovar a prática. O uso inteligente da tecnologia por parte dos advogados e restantes colaboradores permite-lhes melhorar o seu desempenho profissional. “São frequentes as sessões de formação no escritório sobre as inovações que vamos implementado, para que a inovação, seja qual for a sua natureza, esteja verdadeiramente impregnada no dia-a-dia da nossa organização”, remata a jurista. 
 
PLMJ 
 
Também na PLMJ já se começou a usar o Kira. O sistema não está ainda disponível em português, mas vai está a ser desenvolvida essa funcionalidade, através da parceria entre este piloto de inteligência artificial e a sociedade. A verdade é que já ajuda os advogados na automatização e extração de informação, em cláusulas ou disposições contratuais de contratos estruturados e não estruturados. 
 
Práticas essas que já começam a mudar o dia-a-dia dos escritórios, com a inteligência artificial a emancipar os advogados das tarefas burocráticas. “O exemplo mais paradigmático é a análise de quantidades massivas de informação, que podem hoje ser feitas com muita qualidade e com muito maior velocidade com o auxílio a ferramentas informáticas de IA. E isso liberta os advogados, por exemplo numa transação, para a análise de questões mais complexas”, diz Paulo Farinha Alves, sócio de contencioso penal e contraordenacional da PLMJ. 
 
É um mundo que oferece possibilidades infinitas e que veio para mudar a rotina e torná-la mais simples. “Estou convencido de que iremos falar sobre estes temas nas próximas décadas. Não pelo receio de que elas possam substituir os advogados, mas pelas oportunidades que criam e pelo aumento de eficiência e eficácia que proporcionam. Neste caso o futuro é mesmo agora. Não tenho dúvidas sobre isso”, remata o advogado. 
 
Garrigues 
 
Na Garrigues, os departamentos de gestão do conhecimento e de tecnologia têm como objetivos últimos a economia de tempo e maior eficiência no trabalho, conseguidos através da aplicação de inteligência artificial e de novas tecnologias a processos legais tradicionais. É através de um software de IA que é feita a revisão de documentos neste escritório, que analisa automaticamente contratos e outros documentos, deteta erros e incongruências, e facilita aos advogados a sua correção. 
 
Contam ainda com o [email protected], um robot concebido pela Garrigues e pelo Instituto de Ingeniera del Conocimiento da Universidade Autónoma de Madrid, que já começou a ser usado em Espanha para analisar a documentação jurídica que é recebida no escritório. É a primeira vez que um escritório cria e implementa um sistema deste tipo em espanhol. Uma das grandes vantagens do [email protected] é a capacidade para transformar arquivos de áudio e documentos multimédia em texto indexável. 
 
MLGTS 
 
Na MLGTS para além de softwares de edição e comparação de textos, bem como de gestão documental, há já muitos anos que os advogados têm acesso remoto à sua caixa de e-mail. “Essa circunstância, que hoje damos como adquirida, foi porventura aquela que mais profundamente mudou o modo como a tecnologia começou verdadeiramente a influenciar as práticas dos escritórios e a inovar o dia-a-dia de um advogado”, admite Eduardo Paulino, sócio do escritório. 
 
Em junho passado, a sociedade, através do Instituto Miguel Galvão Teles, organizou uma conferência de dois dias sobre inteligência artificial e cuja temática foi além do setor jurídico, abordando as vertentes ética e laboral destas implicações. Uma das questões levantadas foi a clássica “Será que a máquina substitui o homem?”. 
 
No que toca ao exercício da profissão, o jurista realça que “ainda que a IA não permita dispensar a criatividade do advogado, aspeto que verdadeiramente acrescenta valor aos serviços jurídicos, estas ferramentas vão certamente contribuir para aumentar tanto a produtividade interna quanto a velocidade e a eficiência do trabalho entregue ao cliente”. 
 
VdA 
 
Na Vieira de Almeida, a mobilidade teve um novo impulso dado pelo novo posto de trabalho do escritório, em Santos, com a implementação da Microsoft Surface, e uma estratégia baseada em Windows 10 e Office 365, que potencia a partilha de tarefas e documentos, como a comunicação via Skype from Business. 
 
As infraestruturas da nova sede da sociedade também contribuem para um ambiente inovador, já que esta foi preparada com tecnologias de apresentação sem fios, vídeo e áudio conferência integrada e controlo de domótica. À Advocatus, Sofia Barata e Rui Alves da VdA contam como a transformação digital e tecnológica é já uma realidade e que esta veio para ficar. “Esta vai até intensificar-se, sobretudo nos ganhos de eficiência e otimização, através do reforço da análise, classificação e automação documental, da otimização e gestão de processos judiciais e administrativos e gestão de projetos, culminando em 2020 com a finalização do programa VdAmbição – que delineou o plano estratégico de evolução para o quadriénio”.

Publicação
Advocatus_01092018_P47
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Fonte
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Advogados

Margarida Vila Franca
Margarida Vila Franca
Sócia
Lisboa